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Programas e Laudos de SST

PCMSO e PGR estão corretos? Os 12 pontos que a fiscalização confere primeiro

O auditor não lê cem páginas: cruza o inventário do PGR com o PCMSO e com o ASO de uma função exposta. Os 12 pontos que ele confere na primeira hora, o item da norma de cada um e o teste de cinco minutos.

10 min de leitura
Revisão técnica: Cristiano Cecatto

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PCMSO e PGR estão corretos? Os 12 pontos que a fiscalização confere primeiro | SSO Medicina do Trabalho
PCMSO e PGR estão corretos? Os 12 pontos que a fiscalização confere primeiro | SSO Medicina do Trabalho
PCMSO
PGR
fiscalização
NR-1
NR-7
✦ Resposta Direta
PCMSO e PGR estão corretos quando um bate com o outro: o inventário de riscos do PGR lista os perigos por função (NR-1, item 1.5.7.3.2), o PCMSO planeja os exames a partir desses mesmos riscos (NR-7, item 7.5.1) e o ASO de cada empregado transcreve o risco da função dele (NR-7, item 7.5.19.1, c). É esse cruzamento que a fiscalização faz primeiro, antes de olhar formatação ou volume de páginas. Os doze pontos abaixo cobrem o que o auditor fiscal confere na primeira hora: existência por estabelecimento, data e assinatura, inventário completo, plano de ação com cronograma, revisão dentro do prazo, psicossociais no inventário, médico responsável indicado, exames por risco, periodicidade, relatório analítico anual, terceiros dentro do PGR e guarda de 20 anos. Cada ponto tem o item da norma e um teste de cinco minutos.

Por que o auditor cruza os dois documentos

A NR-1 e a NR-7 foram reescritas para funcionar juntas. O PGR identifica e avalia os riscos; o PCMSO usa essa avaliação para decidir quem faz qual exame. O item 7.5.1 da NR-7 diz que o PCMSO deve ser elaborado considerando os riscos identificados e classificados pelo PGR, e o item 7.5.5 manda o médico responsável reavaliar o inventário junto com quem fez o PGR quando encontrar inconsistência. Se os dois documentos descrevem empresas diferentes, um deles está errado, e o auditor não precisa ler cem páginas para descobrir qual.

O artigo sobre como preparar a empresa para a fiscalização trata do rito da visita e da pasta de documentos. Aqui o foco é mais estreito: os pontos de contato entre PGR e PCMSO que decidem se o auditor encerra a leitura em meia hora ou abre um auto de infração.

Os 12 pontos, na ordem em que a fiscalização confere

# O que o auditor confere Norma Teste de cinco minutos
1Existe PGR para este estabelecimento, com inventário de riscos e plano de açãoNR-1, 1.5.3.1.1.1 e 1.5.7.1Abra o PGR e confira o CNPJ e o endereço da unidade fiscalizada; matriz não cobre filial
2Os documentos do PGR estão datados e assinados pela organizaçãoNR-1, 1.5.7.2Última página: data e assinatura de quem responde pela empresa; ART do engenheiro quando houver
3O inventário tem as nove informações mínimas por perigoNR-1, 1.5.7.3.2, a a iEscolha uma função e procure fonte, lesão possível, grupo exposto, medida, exposição, medição e classificação
4O plano de ação tem cronograma, responsáveis e forma de acompanhamentoNR-1, 1.5.5.2.1 e 1.5.5.2.2Pegue uma medida "a implantar" e veja se há prazo, nome e como se mede o resultado
5A avaliação de riscos foi revista nos últimos dois anos ou após um gatilhoNR-1, 1.5.4.4.6Data da última revisão; se houve acidente, máquina nova ou mudança de layout, a revisão veio depois?
6Os fatores de risco psicossociais estão no inventárioNR-1, 1.5.3.2.1Procure a palavra "psicossocial" no inventário e o método usado; em vigor desde 26/05/2026
7Há médico do trabalho indicado como responsável pelo PCMSONR-7, 7.4.1, cNome e CRM na capa do PCMSO e nos ASOs, alínea f do 7.5.19.1; o mesmo nome nos dois
8O PCMSO planeja exames a partir dos riscos do PGR, com agravos e condutasNR-7, 7.5.1 e 7.5.4, a a cPegue a função do ponto 3 e confira se o PCMSO prevê exame para cada risco que o inventário listou
9A periodicidade dos exames respeita o 7.5.8 e os anexosNR-7, 7.5.8Empregado exposto a risco do PGR: periódico anual; audiometria e Anexo I nos prazos próprios
10O relatório analítico do último ano existe e foi discutido com a CIPANR-7, 7.6.2 e 7.6.5Data do relatório, os seis conteúdos do 7.6.2 e a ata da reunião em que foi apresentado
11Terceiros que trabalham na empresa estão no PGRNR-1, 1.5.8.1Contratadas em atividade no local: as medidas estão no seu PGR ou você tem o inventário delas?
12Histórico e prontuários guardados por 20 anosNR-1, 1.5.7.3.3.1; NR-7, 7.6.1.1Peça o PGR de dois anos atrás e o prontuário de um empregado desligado há mais de um ano

Os pontos 3, 8 e 9 são o coração da checagem. O auditor escolhe uma função com exposição evidente, soldador, operador de máquina, auxiliar de limpeza com produto químico, e segue o rastro: o inventário descreve o perigo? O PCMSO prevê exame para ele? O ASO desse empregado registra o risco e o exame, na data certa? Três documentos, uma função, quinze minutos. Se o rastro se perde em qualquer ponto, o resto da auditoria muda de tom.

Os erros que aparecem na primeira leitura

A maior parte das inconsistências não vem de má-fé. Vem de dois fornecedores diferentes, um para o PGR e outro para o PCMSO, que nunca conversaram, ou de um documento revisado e o outro não. Os sinais abaixo são os que a SSO encontra com mais frequência quando assume um cliente que já tinha os programas.

  • ✓Inventário genérico. Todas as funções com os mesmos riscos, sem fonte nem medição. O item 1.5.7.3.2 pede caracterização da exposição e dados de monitoramento; "ruído: presente" não é caracterização.
  • ✓PCMSO com exames que o PGR não justifica. Bateria igual para todos, com exames sem risco correspondente. O item 7.5.18 só admite complementar relacionado a risco do PGR e justificado no PCMSO. É custo e é inconsistência.
  • ✓PGR com risco que o PCMSO ignora. O inverso, e mais grave: o inventário aponta produto químico do Anexo I da NR-7 e o PCMSO não prevê o indicador biológico.
  • ✓Datas fora de ordem. PCMSO datado antes do PGR que ele diz usar como base. O 7.5.1 exige que o programa médico considere os riscos já classificados.
  • ✓Psicossocial ausente ou só citado. Desde 26 de maio de 2026 o inventário precisa incluir os fatores psicossociais. O artigo sobre os documentos do psicossocial lista o que a fiscalização procura.
  • ✓Relatório analítico inexistente. Empresa com PCMSO há três anos e nenhum relatório do 7.6.2, ou relatório sem ata de apresentação à CIPA (7.6.5).
  • ✓Plano de ação sem dono. Medidas listadas, nenhum responsável, nenhum prazo. O 1.5.5.2.2 pede cronograma, responsáveis, formas de acompanhamento e aferição de resultados.
  • ✓Médico diferente em cada documento. Um nome no PCMSO, outro nos ASOs, um terceiro no relatório analítico, sem registro da transferência dos prontuários (7.6.1.2).
⚠️ Atenção: PGR e PCMSO "válidos" não existem como conceito. A NR-1 fala em avaliação revista a cada dois anos ou por gatilho (1.5.4.4.6); a NR-7 fala em relatório anual (7.6.2) e em exames na periodicidade do 7.5.8. Documento com carimbo de "validade: 12 meses" foi escrito por quem vende renovação, não pela norma.

O que muda para ME, EPP e empresas de grau de risco 1 e 2

A NR-1 dispensa o MEI de elaborar PGR (1.8.1) e dispensa ME e EPP de graus de risco 1 e 2 quando o levantamento preliminar não identifica agentes físicos, químicos e biológicos e a empresa declara isso nas informações digitais do eSocial (1.8.4). A dispensa do PCMSO está no 1.8.6, com a mesma lógica. O artigo sobre quem precisa de PGR detalha as dispensas. Do lado da NR-7, quem está dispensado do PCMSO pela NR-1 continua obrigado a fazer e custear os exames admissional, demissional e periódico a cada dois anos (7.7.1), e o ASO segue os campos do 7.5.19.1 (7.7.3).

Empresas de graus 1 e 2 com até 25 empregados, e de graus 3 e 4 com até 10, podem fazer o relatório analítico só com o número de exames clínicos e complementares (7.6.6). A dispensa é do conteúdo, não do relatório. Os doze pontos valem para todo mundo; o que muda é o tamanho da resposta.

Como corrigir sem refazer tudo

Quando os doze pontos revelam inconsistência, a tentação é contratar um PGR novo e um PCMSO novo. Na maioria dos casos não precisa. O caminho é uma revisão cruzada: engenheiro e médico sentam com o inventário, função por função, e alinham três colunas: risco, medida, exame. O que sobra do PCMSO sem risco correspondente sai; o que falta entra; a data da revisão fica registrada no histórico do inventário (1.5.7.3.3.1).

  • ✓Escolha as cinco funções com mais exposição e faça o rastro inventário, PCMSO e ASO em cada uma.
  • ✓Liste as divergências em uma tabela: risco sem exame, exame sem risco, data fora de ordem, medida sem dono.
  • ✓Corrija o inventário primeiro (é a fonte), depois o PCMSO, depois os ASOs que vencerem.
  • ✓Registre a revisão com data, motivo e assinatura, e apresente o resultado à CIPA quando houver.
  • ✓Repita o rastro a cada revisão do PGR e a cada relatório analítico.

É assim que a SSO estrutura o PCMSO dentro dos planos de assinatura: o engenheiro que assina o inventário e o médico que assina o programa leem o mesmo documento, e o relatório analítico do ano fecha com a revisão do PGR. A fiscalização confere doze pontos; a empresa que tem os dois programas na mesma mão confere junto.

Conteúdo produzido pela equipe editorial da SSO e revisado tecnicamente por Cristiano Cecatto, quanto à conformidade com as Normas Regulamentadoras vigentes. Informações médicas são revisadas pela equipe médica da SSO. Este material é informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

Perguntas Frequentes

O que muda para ME, EPP e empresas de grau de risco 1 e 2

A NR-1 dispensa o MEI de elaborar PGR (1.8.1) e dispensa ME e EPP de graus de risco 1 e 2 quando o levantamento preliminar não identifica agentes físicos, químicos e biológicos e a empresa declara isso nas informações digitais do eSocial (1.8.4). A dispensa do PCMSO está no 1.8.6, com a mesma lógica...

Como corrigir sem refazer tudo

Quando os doze pontos revelam inconsistência, a tentação é contratar um PGR novo e um PCMSO novo. Na maioria dos casos não precisa. O caminho é uma revisão cruzada: engenheiro e médico sentam com o inventário, função por função, e alinham três colunas: risco, medida, exame. O que sobra do PCMSO sem ...

Como saber se o PCMSO e o PGR da empresa estão corretos?

Cruzando os dois: o inventário de riscos do PGR lista os perigos por função (NR-1, 1.5.7.3.2), o PCMSO planeja exames a partir desses riscos (NR-7, 7.5.1) e o ASO de cada empregado registra o risco e o exame. Se o rastro se mantém em uma função com exposição evidente, os documentos estão consistente...

O que a fiscalização confere primeiro no PGR?

Existência por estabelecimento, data e assinatura, as informações mínimas do inventário (1.5.7.3.2), o plano de ação com cronograma e responsáveis (1.5.5.2.2) e a data da última revisão (1.5.4.4.6).

O que a fiscalização confere primeiro no PCMSO?

O médico do trabalho responsável (7.4.1, c), se os exames foram planejados a partir dos riscos do PGR (7.5.1 e 7.5.4), a periodicidade (7.5.8) e o relatório analítico do último ano (7.6.2).

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Revisor Técnico

Cristiano Cecatto — Engenheiro de Segurança do Trabalho, CREA 5062466804

Cristiano Cecatto

Engenheiro de Segurança do Trabalho

🏛️ CREA 5062466804🎓 Mestre em Eng. Produção🔩 Eng. Mecânico🏅 CMSE® Certified📋 ABHO nº 1280

Perito judicial e especialista em segurança do trabalho com mais de 20 anos de experiência. Engenheiro Mecânico, Mestre em Engenharia de Produção e Certified Machinery Safety Expert (CMSE®). Responsável técnico da SSO Medicina do Trabalho.

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