Check-up e exame ocupacional não são a mesma coisa
O exame ocupacional responde a uma pergunta: o empregado está apto para esta função, com estes riscos? É obrigatório (CLT, art. 168), tem os cinco tipos do item 7.5.6 da NR-7, gera ASO e os exames complementares só podem existir se estiverem ligados a um risco do PGR e justificados no PCMSO (item 7.5.18). Colesterol para auxiliar administrativo não cabe nesse exame, porque nenhum risco da função o justifica.
O check-up responde a outra pergunta: como está a saúde desta pessoa? Não tem risco de função por trás, não define aptidão e não entra no ASO. É a mesma consulta e os mesmos exames que a pessoa faria por conta própria, oferecidos pela empresa. O item 7.3.1 da NR-7 reconhece que o PCMSO convive com outras iniciativas de saúde da organização; o check-up é uma delas, fora do programa.
| Exame ocupacional (PCMSO) | Check-up ocupacional | |
|---|---|---|
| Base legal | CLT art. 168; NR-7 itens 7.5.6 a 7.5.19 | Iniciativa da empresa; NR-7 item 7.3.1; Lei 15.377/2026 (orientação sobre preventivos) |
| Obrigatório? | Sim, para todo empregado | Não |
| O que avalia | Aptidão para a função, conforme os riscos do PGR | Saúde geral: metabólica, cardiovascular, hepática, renal, tireoide |
| Gera ASO? | Sim, com os campos do 7.5.19.1 | Não; o resultado é do trabalhador |
| Quem escolhe os exames | O médico do PCMSO, pelo risco | A empresa e o trabalhador, pelo perfil e pela idade |
| Quem recebe o resultado | O trabalhador; a empresa recebe o ASO com apto ou inapto | Só o trabalhador, com orientação médica |
| Quem paga | A empresa, sempre (NR-7, 7.4.1, b) | A empresa, como benefício, ou o trabalhador |
O que entra no check-up, e por que esses exames
Um check-up de base cobre o que mais adoece e mais silencia na população adulta que trabalha: diabetes, dislipidemia, alteração hepática, função renal e tireoide, além de uma consulta clínica que lê os resultados e orienta. É por isso que o pacote essencial da SSO tem oito itens, e não uma lista de trinta.
- ✓Consulta médica: anamnese, exame físico, pressão arterial, orientação sobre os resultados. Sem ela, o exame vira um papel que ninguém lê.
- ✓Hemograma completo: anemia, infecção, alteração de plaquetas.
- ✓Glicemia em jejum: rastreio de diabetes e pré-diabetes.
- ✓Colesterol total e frações: risco cardiovascular.
- ✓Creatinina: função renal.
- ✓TGO (AST) e TGP (ALT): função hepática.
- ✓TSH: tireoide, causa frequente de cansaço e ganho de peso sem explicação.
A partir dessa base, a idade e o sexo mudam o pacote. O check-up masculino 40+ da SSO acrescenta eletrocardiograma e PSA total; o 60+ acrescenta o eletrocardiograma. Mamografia, exame preventivo do colo do útero e colonoscopia seguem as orientações do Ministério da Saúde e do INCA por faixa etária, e a Lei 15.377/2026 obriga a empresa a informar o empregado sobre o acesso a eles, sem obrigar a custear.
| Pacote SSO | O que inclui | Valor |
|---|---|---|
| Check-up Feminino Essencial | Consulta, hemograma, glicemia, colesterol e frações, creatinina, TGO, TGP, TSH | R$ 299,00 |
| Check-up Masculino Essencial | Os mesmos itens | R$ 299,00 |
| Check-up 60+ Essencial | Essencial + eletrocardiograma | R$ 346,00 |
| Check-up Masculino 40+ | Essencial + eletrocardiograma + PSA total | R$ 376,00 |
| Check-up Infantil Básico | Consulta, hemograma, protoparasitológico de fezes | R$ 190,00 |
Quando a empresa oferece o check-up
Três situações concentram a demanda que chega à SSO. Nenhuma delas é obrigação legal; todas são decisão de gestão com retorno mensurável em afastamento e em clima.
Como benefício anual
A empresa inclui um check-up por ano no pacote de benefícios, junto com plano de saúde ou no lugar dele quando não há plano. O momento mais prático é o mês do periódico: o empregado já vai à clínica, e a coleta do check-up acontece na mesma visita. Os dois exames continuam separados no registro, um no PCMSO e outro fora, mas a logística é uma só.
Em campanhas de saúde
Outubro Rosa, Novembro Azul, campanha de vacinação. A Lei 15.377/2026 transformou a informação sobre essas campanhas em dever da empresa, e o check-up é a forma de sair do cartaz e chegar ao exame. A unidade móvel da SSO faz a coleta na empresa; o artigo sobre a Lei 15.377 explica o que a lei exige e o que é complemento.
Para cargos de decisão
Na rotina da SSO, diretores e gerentes são os que mais adiam o periódico e os que mais chegam ao consultório com pressão e glicemia que ninguém tinha medido. O check-up executivo, com eletrocardiograma e exames por faixa etária, costuma ser o primeiro contato dessas pessoas com um médico em anos. É também o caso em que o relatório individual mais muda conduta.
Como organizar sem misturar com o PCMSO
A regra é simples: dois registros, um médico. O médico do PCMSO pode ser o mesmo que faz a consulta do check-up, e é bom que seja, porque ele conhece a função. O que não pode é o resultado do check-up virar critério de aptidão ou aparecer no ASO. O item 7.5.18 da NR-7 só admite exame complementar no PCMSO quando ligado a risco do PGR; o check-up fica fora por definição.
- ✓Adesão voluntária e por escrito. O empregado escolhe fazer; o exame ocupacional é obrigatório, o check-up não.
- ✓Resultado entregue ao trabalhador, com a consulta de orientação. Ao RH vai, no máximo, o comprovante de realização.
- ✓Relatório coletivo sem identificação para a empresa: percentual de glicemia alterada, de colesterol alto, de pressão elevada. Serve para planejar ações de saúde, não para decidir sobre pessoas.
- ✓Encaminhamento quando o exame aponta problema: o médico orienta o empregado a procurar o SUS ou o plano; a empresa não conduz o tratamento.
- ✓Separação documental: o check-up não entra no prontuário do PCMSO como exame da função, e não muda a periodicidade do periódico.
Quando o check-up revela algo que afeta a capacidade para o trabalho, o caminho é o exame ocupacional, feito pelo PCMSO, com o consentimento do empregado. A informação sai do check-up, mas a decisão de aptidão nasce dentro do programa, com as regras dele.
O que o check-up rende para a empresa
O retorno do check-up é o que a empresa mede depois, não o que a clínica promete antes. Afastamentos por doença crônica descoberta tarde, consultas de urgência, presenteísmo por sintoma sem diagnóstico. O relatório coletivo do primeiro ano dá o ponto de partida; o do segundo mostra a diferença. Empresa que faz check-up sem relatório coletivo fica só com a sensação de ter feito benefício.
Para quem quer começar por uma pessoa ou por um grupo pequeno, a loja da SSO vende os check-ups por unidade, com agendamento direto. Para turma, o pedido vai pelo WhatsApp, e a SSO monta a logística de coleta e o relatório coletivo.
- NR-7, texto vigente (Portaria SEPRT nº 6.734/2020 e alterações até a Portaria MTP nº 567/2022), itens 7.3.1, 7.3.2, 7.4.1, 7.5.6, 7.5.18, 7.5.19 e 7.5.19.3
- CLT - Decreto-Lei nº 5.452/1943, art. 168, caput e § 5º (redação da Lei nº 7.855/1989), e art. 169-A (incluído pela Lei nº 15.377/2026)
- Lei nº 15.377, de 2 de abril de 2026




