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eSocial e Legislação Trabalhista

Lei 15.377/2026: o que ela obriga a empresa a fazer (e o que não obriga)

Em vigor desde 6 de abril de 2026, a lei obriga a informar, conscientizar e orientar. Não obriga a vacinar nem a pagar exame. Veja os deveres do art. 169-A, a falta abonada e como registrar.

11 min de leitura
Equipe Editorial SSO

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Lei 15.377/2026: o que ela obriga a empresa a fazer (e o que não obriga) | SSO Medicina do Trabalho
Lei 15.377/2026: o que ela obriga a empresa a fazer (e o que não obriga) | SSO Medicina do Trabalho
Lei 15.377
CLT art. 169-A
vacinação
HPV
câncer
✦ Resposta Direta
A Lei 15.377/2026 obriga a empresa a informar os empregados sobre as campanhas oficiais de vacinação, sobre o HPV e sobre os cânceres de mama, de colo do útero e de próstata, a promover ações de conscientização e a orientar sobre o acesso ao diagnóstico. Ela também manda avisar que o empregado pode faltar, sem desconto, para fazer exames preventivos: até 3 dias a cada 12 meses, regra que já existia no inciso XII do art. 473 da CLT. É o que diz o novo art. 169-A e o § 3º do art. 473, em vigor desde 6 de abril de 2026. A lei não manda vacinar ninguém, não obriga a pagar exame nem cria laudo ou documento novo. Obriga a informar, conscientizar e orientar, e é isso que a fiscalização vai perguntar se aconteceu.

O que a lei acrescentou à CLT

São dois dispositivos, os dois curtos. O art. 1º da Lei 15.377/2026 cria o art. 169-A na CLT, dentro do Capítulo V, o mesmo dos exames ocupacionais do art. 168. O art. 2º acrescenta o § 3º ao art. 473, que é o artigo das faltas justificadas. O art. 3º diz que a lei entrou em vigor na publicação, no Diário Oficial de 6 de abril de 2026. Não há prazo de adaptação. Desde aquele dia a obrigação existe.

O caput do art. 169-A fala em "obrigação das empresas". O parágrafo único e o § 3º do art. 473 falam em "empregador". Na prática é a mesma pessoa: quem tem empregado CLT, de qualquer porte, em qualquer atividade. A lei não exclui MEI, ME ou EPP, e não condiciona nada a grau de risco.

O que a lei manda Onde está Sobre o quê
Disponibilizar informaçõesCLT art. 169-A, caputCampanhas oficiais de vacinação; HPV; cânceres de mama, de colo do útero e de próstata, conforme orientações e recomendações do Ministério da Saúde
Promover ações afirmativas de conscientizaçãoCLT art. 169-A, caputAs mesmas doenças
Orientar sobre o acesso aos serviços de diagnósticoCLT art. 169-A, caputOnde e como o empregado faz o exame preventivo
Informar sobre a falta abonada para exame preventivoCLT art. 169-A, parágrafo único, e art. 473, § 3ºAté 3 dias a cada 12 meses, sem prejuízo do salário, para exame preventivo de HPV e de câncer, nos termos do inciso XII do art. 473

O que a lei não manda, e onde muita empresa vai gastar à toa

Leia o texto de novo antes de contratar qualquer coisa. O art. 169-A usa três verbos: disponibilizar informações, promover conscientização, orientar sobre acesso. Nenhum deles é vacinar, custear, agendar ou exigir. A empresa não fica obrigada a aplicar vacina no trabalho, não fica obrigada a pagar mamografia ou PSA, e não pode pedir o resultado de exame preventivo de ninguém. Resultado de exame preventivo é da vida privada do empregado, e a lei não abriu exceção.

A lei também não cria documento. Não existe "laudo da Lei 15.377", não existe programa com esse nome na NR-7 nem na NR-1, e não existe formulário do Ministério do Trabalho para isso. O que existe é o dever de fazer, e a pergunta que vem depois: como provar que fez. Aí entra o registro, que a lei não exige, mas que decide uma fiscalização ou uma reclamação trabalhista.

⚠️ Atenção: Cuidado com ofertas de "adequação obrigatória" que empurram vacinação in company, palestras ou exames como se a lei mandasse. Não manda. Essas ações são boas, e a SSO oferece várias delas, mas como complemento de saúde, não como obrigação legal. Quem vender diferente está inventando lei.

As cinco frentes de informação, uma a uma

O art. 169-A lista cinco temas, e todos têm fonte oficial pronta. A empresa não precisa produzir conteúdo de saúde; precisa repassar o que o Ministério da Saúde e o INCA já publicam, em linguagem que o empregado entenda, pelo canal que ele de fato lê.

Campanhas oficiais de vacinação

O Ministério da Saúde mantém o calendário nacional de vacinação e anuncia as campanhas do ano: gripe, multivacinação, atualização de caderneta. A obrigação é informar quando a campanha abre, quem tem direito e onde tomar, com base no que o Ministério publica. Basta um comunicado por campanha, com data, público e o posto mais próximo das unidades da empresa.

HPV

O HPV entra duas vezes na lei: como tema de informação e como motivo de falta abonada para o exame preventivo. A vacina contra o HPV está no calendário do SUS para adolescentes, e o exame preventivo do colo do útero é a forma de rastrear as lesões que o vírus causa. O comunicado da empresa precisa dizer as duas coisas: quem pode se vacinar pelo SUS e que o exame preventivo dá direito à falta justificada.

Câncer de mama

A informação oficial vem do INCA: sinais de alerta, quem deve fazer mamografia de rastreamento e como acessar pelo SUS. Outubro é o mês em que a conscientização já acontece por conta própria na maioria das empresas. A lei transformou o hábito em dever, o ano inteiro.

Câncer de colo do útero

Aqui a orientação de acesso ao diagnóstico é o ponto mais útil da lei, porque o exame preventivo é gratuito na rede pública e muita trabalhadora não faz por falta de tempo. O art. 473, XII, resolve o tempo: até 3 dias por ano, sem desconto, com comprovação. A empresa que informa isso por escrito cumpre a lei e tira a desculpa.

Câncer de próstata

Mesma lógica, público masculino. O INCA orienta quando e para quem o rastreamento faz sentido, e a empresa repassa a orientação e o caminho de acesso. Novembro concentra a campanha pública; a lei não limita a informação a um mês.

Como cumprir na prática, sem inventar burocracia

A lei cabe em um plano de comunicação de RH com quatro peças, e é assim que a SSO estrutura o programa para os clientes. Nada disso exige médico presente, nem sistema novo. Exige regularidade e registro.

  • ✓Comunicado base, por escrito: um texto com os cinco temas, a fonte oficial de cada um e a regra da falta abonada (art. 473, XII e § 3º). Entregue na admissão e disponível na intranet, no mural ou no canal de mensagens da empresa.
  • ✓Calendário anual: campanhas de vacinação conforme o Ministério da Saúde anunciar, Outubro Rosa, Novembro Azul e a campanha de HPV do calendário do SUS. Cada campanha gera um lembrete.
  • ✓Ação de conscientização: ao menos uma por tema no ano. Palestra, DDS, material do INCA distribuído, vídeo curto. O art. 169-A pede "ações afirmativas", então precisa existir ação, não só texto no mural.
  • ✓Orientação de acesso: lista de onde o empregado faz o exame preventivo e a vacina perto de cada unidade (UBS, plano de saúde da empresa, se houver), e o passo para justificar a falta.
  • ✓Registro: data, tema, canal, público e evidência (cópia do comunicado, lista de presença, print da intranet). É o que a empresa mostra ao auditor fiscal ou ao juiz.
💡 Dica SSO: Coloque a regra da falta abonada no mesmo comunicado das campanhas. O § 3º do art. 473 exige que o empregador informe essa possibilidade, e é o item que mais cai em reclamação trabalhista: empregado que faltou para exame preventivo, foi descontado e a empresa nunca tinha avisado que não podia descontar.

A falta abonada do art. 473, XII: como funciona

O inciso XII do art. 473 existe desde a Lei 13.767/2018: o empregado pode deixar de comparecer ao serviço, sem prejuízo do salário, por até 3 dias em cada 12 meses de trabalho, para realizar exames preventivos de câncer devidamente comprovados. A Lei 15.377/2026 não mudou o prazo. O que ela fez foi obrigar o empregador a informar essa possibilidade e estender a leitura ao exame preventivo do HPV.

Três pontos que o RH precisa acertar. Primeiro, "devidamente comprovada": a empresa pode pedir a declaração de comparecimento do serviço de saúde, com data e horário, sem exigir o resultado. Segundo, os 3 dias são por período de 12 meses de trabalho, não por ano-calendário. Terceiro, a falta abonada não é benefício da empresa: é direito de lei, e o desconto indevido gera diferença salarial com reflexos.

Situação O que vale Base
Empregado avisa que vai fazer mamografia e volta com declaração de comparecimentoFalta justificada, sem desconto, contada nos 3 dias do períodoCLT art. 473, XII
Empregado falta para exame preventivo de HPVMesmo tratamento do exame de câncerCLT art. 169-A, parágrafo único, e art. 473, § 3º
Empregado não apresenta comprovaçãoA empresa pode tratar como falta comum; o inciso XII exige comprovaçãoCLT art. 473, XII
Empresa nunca informou o direitoDescumprimento do art. 473, § 3º; risco de reclamação e de autuaçãoCLT art. 473, § 3º

Onde a Lei 15.377 encaixa no PCMSO

Ela não encaixa, e é bom deixar isso claro no seu programa. O PCMSO da NR-7 trata de exames ocupacionais, ligados ao risco da função e registrados no ASO. Exame preventivo de câncer e vacinação de campanha são saúde geral, fora do PCMSO, fora do ASO e fora do prontuário ocupacional. O médico do trabalho não pode condicionar aptidão a mamografia nem cobrar resultado de PSA.

O que o médico coordenador pode, e vale muito, é usar a estrutura que já existe: o momento do exame periódico para entregar a orientação, o DDS para a ação de conscientização, a campanha de vacinação in company para facilitar o acesso. A SSO monta isso dentro do Programa SSO Lei 15.377/2026, com os comunicados, o calendário, as ações e o registro, e executa vacinação in company e campanhas com a unidade móvel quando a empresa quer ir além da informação.

Fiscalização e penalidade

A Lei 15.377/2026 não fixou multa própria. O art. 169-A foi colocado no Capítulo V da CLT, e o art. 201 desse capítulo prevê multa para infrações relativas à medicina do trabalho. Como a lei é de abril de 2026, ainda não há histórico de autuação para dizer como o auditor fiscal vai enquadrar. O caminho mais provável é o mesmo dos demais deveres de informação: o auditor pede a evidência de que a empresa informou e conscientizou. Quem tiver o registro responde em minutos; quem não tiver discute o valor da multa.

O risco maior, hoje, está na Justiça do Trabalho: desconto de falta que a lei manda abonar, e empregado que nunca foi informado. Esse cenário já existia com o inciso XII e ganhou peso com o § 3º. O artigo sobre como preparar a empresa para a fiscalização mostra como organizar as evidências de SST; a Lei 15.377 entra na mesma pasta.

Conteúdo produzido pela equipe editorial da SSO e revisado tecnicamente quanto à conformidade com as Normas Regulamentadoras vigentes. Informações médicas são revisadas pela equipe médica da SSO. Este material é informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

Perguntas Frequentes

O que a lei acrescentou à CLT

São dois dispositivos, os dois curtos. O art. 1º da Lei 15.377/2026 cria o art. 169-A na CLT, dentro do Capítulo V, o mesmo dos exames ocupacionais do art. 168. O art. 2º acrescenta o § 3º ao art. 473, que é o artigo das faltas justificadas. O art. 3º diz que a lei entrou em vigor na publicação, no ...

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A falta abonada do art. 473, XII: como funciona

O inciso XII do art. 473 existe desde a Lei 13.767/2018: o empregado pode deixar de comparecer ao serviço, sem prejuízo do salário, por até 3 dias em cada 12 meses de trabalho, para realizar exames preventivos de câncer devidamente comprovados. A Lei 15.377/2026 não mudou o prazo. O que ela fez foi ...

O que diz a Lei 15.377 de 2026?

Ela acrescenta o art. 169-A à CLT e o § 3º ao art. 473. A empresa passa a ter de informar os empregados sobre campanhas oficiais de vacinação, HPV e cânceres de mama, de colo do útero e de próstata, promover ações de conscientização, orientar sobre o acesso ao diagnóstico e avisar que o empregado po...

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Autor

Equipe Editorial SSO

Conteúdo editorial revisado pela equipe técnica

Conteúdo revisado pela equipe editorial da SSO Medicina Ocupacional, sob responsabilidade técnica do Eng. Cristiano Cecatto (CREA 5062466804). Para conteúdo escrito diretamente pelo Cristiano, veja a lista completa aqui.

Engenheiro Técnico Responsável

Cristiano Cecatto — Engenheiro de Segurança do Trabalho, CREA 5062466804

Cristiano Cecatto

Engenheiro de Segurança do Trabalho

🏛️ CREA 5062466804🎓 Mestre em Eng. Produção🔩 Eng. Mecânico🏅 CMSE® Certified📋 ABHO nº 1280

Perito judicial e especialista em segurança do trabalho com mais de 25 anos de experiência. Engenheiro Mecânico, Mestre em Engenharia de Produção e Certified Machinery Safety Expert (CMSE®). Responsável técnico da SSO Medicina do Trabalho.

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