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Resposta Direta
A
crise de ansiedade no trabalho é um episódio agudo em que sintomas físicos (taquicardia, falta de ar, sudorese, tremores) e emocionais (medo intenso, sensação de perigo iminente) surgem ou se agravam por fatores do ambiente laboral, como sobrecarga, metas abusivas ou assédio. Desde a atualização da NR-1 (Portaria MTE nº 1.419/2024), a gestão dos
riscos psicossociais passou a ser obrigatória no PGR, com fiscalização a partir de 26 de maio de 2026.
Sinais de uma crise de ansiedade no ambiente de trabalho
Uma crise de ansiedade costuma se instalar em minutos e mistura reações do corpo e da mente. Reconhecer os sinais cedo ajuda gestores e colegas a agir com acolhimento, e não com julgamento. Os transtornos de ansiedade estão classificados no grupo F41 da CID-10 e, quando ligados ao trabalho, podem configurar doença ocupacional.
| Categoria | Manifestações mais comuns |
| Físicas | Taquicardia, falta de ar, aperto no peito, sudorese, tremores, tontura, náusea |
| Emocionais | Medo intenso, sensação de perigo ou de perda de controle, irritabilidade |
| Cognitivas | Pensamentos acelerados, dificuldade de concentração, brancos de memória |
| Comportamentais | Evitar reuniões e tarefas, isolamento, afastamento do posto de trabalho |
💡 Dica SSO: Trate o episódio com discrição. Leve a pessoa a um espaço calmo, ofereça água e ajude-a a respirar devagar. Um canal de escuta e o encaminhamento ao serviço de saúde ocupacional valem mais que qualquer improviso no calor da crise.
A NR-1 e a gestão obrigatória dos riscos psicossociais
A nova redação da NR-1, publicada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, incluiu os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, a empresa precisa identificar, avaliar e controlar fatores como jornada exaustiva, pressão por metas, assédio moral e falta de autonomia, que são gatilhos diretos de crises de ansiedade.
A Portaria MTE nº 765/2025 prorrogou a vigência dessa exigência para 26 de maio de 2026. Até essa data, o período tem caráter orientativo e educativo; a partir dela, a fiscalização passa a autuar e aplicar multas para quem não gerenciar os riscos psicossociais.
⚠️ Atenção: A partir de 26 de maio de 2026, ignorar os riscos psicossociais no PGR deixa de ser apenas uma falha de gestão e passa a gerar autuação e multa na fiscalização do trabalho.
Impactos da ansiedade não tratada nas empresas
Quando a ansiedade não é acolhida, o custo aparece na operação e no caixa. O absenteísmo cresce com afastamentos, o presenteísmo reduz a produtividade de quem trabalha adoecido e o turnover encarece a reposição de talentos. Some-se a isso o passivo trabalhista e previdenciário quando o adoecimento é reconhecido como relacionado ao trabalho.
Cuidar da saúde mental não é só uma pauta de bem-estar: é gestão de risco e de continuidade do negócio, integrada ao PCMSO e à política de saúde ocupacional da empresa.
Condução de uma crise aguda no ambiente corporativo
No momento da crise, atitudes simples fazem diferença. O objetivo é reduzir os estímulos, transmitir segurança e garantir que a pessoa receba avaliação profissional depois do episódio.
- ✓Conduza a pessoa a um local tranquilo, arejado e reservado.
- ✓Fale com calma, em frases curtas, sem minimizar o que ela sente.
- ✓Oriente uma respiração lenta: inspirar contando até quatro, expirar contando até seis.
- ✓Ofereça água e evite aglomeração de colegas ao redor.
- ✓Após a estabilização, encaminhe ao serviço de saúde ocupacional ou a atendimento médico.
Se o quadro exigir afastamento, vale lembrar a regra geral do atestado: os primeiros 15 dias são pagos pela empresa e, a partir do 16º dia, o benefício é avaliado pelo INSS.
Medidas preventivas e boas práticas de gestão
Prevenir é mais barato e mais humano que remediar. A avaliação de riscos psicossociais prevista na NR-1 é o ponto de partida para desenhar controles que reduzam a incidência de crises no dia a dia.
- ✓Mapeie os riscos psicossociais por setor e função no PGR.
- ✓Reveja cargas de trabalho, metas e prazos que geram pressão desproporcional.
- ✓Crie canais de escuta e políticas claras contra o assédio moral.
- ✓Ofereça apoio psicológico e integre a saúde mental ao PCMSO.
- ✓Treine lideranças para identificar sinais precoces e acolher a equipe.
Referências legais (fontes oficiais)
- NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) e Portaria MTE nº 1.419/2024, que incluiu os riscos psicossociais no GRO/PGR (Ministério do Trabalho e Emprego).
- Portaria MTE nº 765/2025, que prorrogou a vigência da exigência de riscos psicossociais para 26 de maio de 2026.
- Portaria GM/MS nº 1.999, de 27 de novembro de 2023, que atualizou a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, incluindo transtornos mentais.
- Lei nº 8.213/1991, art. 118 (estabilidade de 12 meses) e art. 20 (equiparação de doença ocupacional a acidente de trabalho).
Perguntas Frequentes
O que fazer quando tiver uma crise de ansiedade no trabalho?
Procure um local calmo e reservado, reduza os estímulos ao redor e concentre-se em respirar devagar, inspirando e expirando de forma lenta e prolongada. Avise alguém de confiança e, após o episódio, busque o serviço de saúde ocupacional ou atendimento médico para avaliação e acompanhamento.
Quantos dias de atestado a ansiedade dá direito?
Não existe um número fixo: o período é definido pelo médico conforme a gravidade do quadro. Pela regra geral, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa e, a partir do 16º dia, o benefício passa a ser avaliado pelo INSS.
A empresa pode demitir um funcionário com ansiedade?
Sim, desde que não haja estabilidade em curso e a dispensa não tenha caráter discriminatório. Se o transtorno for reconhecido como doença ocupacional, com nexo com o trabalho e benefício acidentário (B91), o trabalhador tem estabilidade de 12 meses após a alta, nos termos do art. 118 da Lei 8.213/91.
A ansiedade no trabalho gera estabilidade no emprego?
Só quando é reconhecida como doença relacionada ao trabalho, com nexo causal ou concausal e concessão de auxílio por incapacidade de natureza acidentária. O diagnóstico isolado, sem esse nexo reconhecido, não gera estabilidade automática.
Quais são os principais sinais de burnout?
Exaustão física e emocional persistente, distanciamento e cinismo em relação ao trabalho, queda de desempenho, irritabilidade e sintomas físicos como insônia e dores. Diferente de uma crise pontual, o burnout se instala de forma crônica e está ligado ao esgotamento profissional.