Toda empresa em fase de implantação, expansão de suas instalações ou no caso alteração das condições operacionais deve realizar um Estudo de Análise de Riscos (EAR), conforme legislação estadual e normas técnicas específicas. Este Estudo é exigido para obtenção da Licença de Operação (LO) do órgão ambiental de cada Estado.

O Estudo de Análise de Riscos (EAR) visa quantificar o risco imposto à comunidade externa pelo empreendimento (instalações industriais, áreas de tancagem, terminais, sistemas de refrigeração, entre outros) por meio do armazenamento e/ou manuseio de combustíveis, inflamáveis e/ou tóxicos. Essa quantificação é realizada por meio de dois indicadores, Risco Social e Risco Individual, os quais são comparados com os valores toleráveis por normas técnicas, como a Norma CETESB P4.261 em São Paulo.

Etapas do Estudo de Análise de Riscos:

Descrição física de instalações, processos industriais existentes, substâncias combustíveis, inflamáveis e/ou tóxicas armazenadas, além da caracterização geográfica, climática e distribuição populacional no entorno do empreendimento.

Aplicação de técnicas qualitativas estruturadas para identificação dos cenários acidentais e classificação dos mesmos quanto à magnitude do seu risco, através das variáveis “frequência de ocorrência” e “severidade das consequências” para população. As técnicas para identificação de perigos mais utilizadas são: Análise Preliminar de Perigos (APP), Análise de Perigos e Operabilidade (HazOp), What if?, Análise de Modos de Falhas e Efeitos (FMEA), entre outras.

Estimativa dos efeitos físicos decorrentes dos cenários acidentais identificados no item anterior através do software SAFETI (Phast e Phast Risk) desenvolvido pela DNV. Os efeitos físicos avaliados, dependendo da substância e forma de armazenamento/escoamento, são: flashfire, incêndio em poça (pool fire), explosão confinada (VCE) e não confinada (UVCE), jato de fogo (jet fire), bola de fogo (fireball), dispersão de nuvem tóxica, entre outros. A definição das tipologias acidentais para cada hipótese é realizada através da técnica de Análise de Árvore de Eventos (AAE).

Estimativa dos danos gerados sobre a população exposta devido à ocorrência das hipóteses acidentais. É realizado um mapeamento do entorno do empreendimento segundo a probabilidade de fatalidade da população devido à exposição à radiação térmica, sobrepressão e/ou toxicidade, conforme apresentado na Figura 1. Essa probabilidade de fatalidade é estimada através de modelos matemáticos, como funções PROBIT (para radiação e toxicidade), e valores referência (no caso de sobrepressão). Nesta etapa é possível definir, por exemplo, as regiões com probabilidade de fatalidade de 1%, 50% e 99%.

Figura 1 – Avaliação de Vulnerabilidade

Cálculo da frequência de ocorrência dos efeitos físicos que extrapolam os limites do empreendimento e que afetam a comunidade externa. As frequências de ocorrência dos cenários acidentais são estimadas através das taxas de falhas dos componentes que compõem os cenários acidentais. Essas taxas são obtidas em registros históricos contidos em bancos de dados, como o Reference Manual Bevi Risk  Assessments (BEVI) e o Loss Prevention in the Process Industries.

O risco é função das frequências de ocorrência dos cenários acidentais e suas respectivas consequências em termos de danos à comunidade externa. Dessa forma, a partir dos resultados quantitativos obtidos nas etapas anteriores, é possível estimar o risco do empreendimento através de dois indicadores: Risco Social e Risco Individual.

O Risco Social expressa a relação entre a frequência e o número de fatalidades devido à ocorrência de um cenário acidental. É representado através da Curva F-N (Figura 2), que é a relação entre a frequência acumulada dos cenários acidentais e seus respectivos efeitos representados em termos do número de vítimas fatais.

Figura 2 – Curva F-N

O Risco Individual indica o risco para uma pessoa presente na vizinhança de um perigo, considerando a natureza do dano que pode ocorrer e o período de tempo em que este pode acontecer. É apresentado através de Curvas de Isorrisco (Figura 3), as quais permitem visualizar a distribuição geográfica do risco sobrepostas à foto aérea do empreendimento e do seu entorno.

Figura 3 – Curvas de Isorrisco

Recomendações e medidas resultantes do estudo de análise e avaliação de riscos para a redução das frequências e consequências de eventuais acidentes.  São exemplos de medidas a redundância ou o aumento da confiabilidade de componentes, a substituição de substâncias químicas por outras de menor periculosidade, o afastamento de inventários em relação à população, a redução de inventários e das condições operacionais (temperatura, pressão), entre outras.

  1. Caracterização do Empreendimento e da Região
  2. Identificação de Perigos
  3. Estimativa dos Efeitos Físicos
  4. Avaliação de Vulnerabilidade
  5. Estimativa de Frequências
  6. Estimativa de Avaliação de Riscos
  7. Recomendações de Segurança