Mogi, Itaquaquecetuba e Suzano lideram acidentes de trabalho.

Dados são de uma pesquisa feita em 2013 e divulgada recentemente.
Acidentes no trajeto também são considerados de trabalho.

As cidades de Mogi das Cruzes, Suzano e Itaquaquecetuba lideram o número de acidentes de trabalho. Uma pesquisa nacional de saúde, divulgada mês passado e com dados de 2013, aponta que 3,4% dos empregados com carteiras de trabalho no período de um ano já sofreram alguma lesão durante o trabalho.

Silvana de Jesus Batista perdeu uma parte do polegar em 2014, quando trabalhava em um açougue. “Eu estava cortando frango em uma máquina elétrica e não tinha luva de proteção. De repente, minha pele estava muito congelada e acabou sendo laçada pelo frango. Eu só vi que cortou porque cortou o osso do meu dedo.”

A vida profissional ficou muito complicada depois do acidente. Como não houve acordo com a empresa, ela disse que não recebeu e também não teve direito a aposentadoria do INSS. “Eu fiquei afastada seis meses e o meu médico não tinha me dado alta, mesmo assim o INSS me deu alta e mal olharam para o meu dedo. Sendo que o meu exame médico dizia que eu ainda não tinha condições de ter voltado. Eu fiquei trabalhando com o dedo desse jeito e depois prejudicou porque ele infeccionou.” Atualmente, ela trabalha como empregada doméstica, mas diz  ainda sentir dores.

De acordo com o Ministério do Trabalho, em 2013 Mogi das Cruzes registrou 1.563 acidentes de trabalho, com quatro mortes. Já em 2014 foram 1.626 acidentes e nove mortes, o que simboliza um aumento de 4%.

Em Suzano, no ano de 2013, foram 1.266 acidentes com seis mortes. Já no ano seguinte, foram 1.145 acidentes sem nenhuma morte. Itaquaquecetuba teve mil acidentes no ano de 2013 e quatro mortes. Em 2014 o número caiu para 999 acidentes de trabalho, mas as mortes subiram para sete.

A pesquisa aponta ainda que os homens são as maiores vítimas, representando 5,1%. Só 1,9% das mulheres já se acidentaram no trabalho. Essa diferença acontece porque os homens trabalham em situações de maiores riscos, como o manuseio de máquinas e na construção civil.

O INSS, sobre o caso da Silvana, disse que ela recebeu quatro auxílios-doenças e que não consta mais nenhum pedido de benefício depois desses que ela já recebeu.