Introdução ao eletrocardiograma
O eletrocardiograma (ECG) é um exame clínico fundamental para a avaliação da saúde do coração. Ele registra a atividade elétrica do músculo cardíaco, permitindo identificar arritmias, isquemias, hipertrofias e outras alterações que podem indicar risco de doenças cardiovasculares. Por ser um exame simples, rápido e não invasivo, é amplamente utilizado tanto na medicina geral quanto na medicina ocupacional.
Na área ocupacional, o ECG entra no acompanhamento do trabalhador como exame complementar, quando os riscos da função justificam. Na redação atual da NR-7, os exames complementares são definidos pela avaliação de risco no PGR, a critério do médico do trabalho, e podem aparecer nos exames admissionais, periódicos e demissionais, sobretudo para trabalhadores expostos a riscos cardiovasculares relacionados à função exercida. A correta realização do exame é essencial para garantir diagnósticos precisos e a segurança do trabalhador.
Além disso, o eletrocardiograma é um exame acessível e de baixo custo, que pode ser realizado em clínicas especializadas, hospitais e unidades de saúde ocupacional. A interpretação dos resultados deve ser feita por profissionais capacitados, garantindo a identificação precoce de possíveis alterações e a indicação de tratamentos ou medidas preventivas adequadas.
Preparação para o exame de eletrocardiograma
Para garantir a qualidade do exame, algumas orientações são importantes antes de realizar o eletrocardiograma. O paciente deve estar em repouso, evitando esforços físicos intensos nas horas que antecedem o exame. É recomendado que evite o consumo de bebidas estimulantes, como café e bebidas energéticas, pois podem alterar o ritmo cardíaco e interferir na leitura.
Além disso, é importante que a pele onde os eletrodos serão fixados esteja limpa e seca. Por isso, recomenda-se evitar o uso de cremes, óleos ou loções corporais no dia do exame. Para as mulheres, o uso de roupas que facilitem o acesso ao tórax é indicado, e em geral, é necessário retirar o sutiã para a correta colocação dos eletrodos precordiais.
Outro ponto relevante é informar ao profissional responsável sobre o uso de medicamentos e condições clínicas pré-existentes, como arritmias conhecidas ou doenças cardíacas. Isso ajuda na interpretação dos resultados e na escolha do tipo de exame mais adequado para cada caso. Seguir essas recomendações contribui para um exame mais preciso e confiável.
Procedimento técnico: como é feito o eletrocardiograma
O procedimento do eletrocardiograma é simples e indolor, com duração média entre 5 e 10 minutos. Inicialmente, o paciente é acomodado em decúbito dorsal (deitado de costas) e deve permanecer em repouso absoluto para evitar interferências no traçado. O profissional responsável limpa a pele para remover oleosidade e suor, garantindo a boa fixação dos eletrodos.
São colocados 10 eletrodos no corpo do paciente: quatro nos membros (braços e pernas) e seis na região torácica, em pontos específicos entre os espaços intercostais, conhecidos como precordiais (V1 a V6). Esses eletrodos captam os impulsos elétricos gerados pelo coração em diferentes planos, permitindo uma análise completa da atividade cardíaca.
Após a fixação dos eletrodos, o aparelho registra os sinais elétricos e imprime o traçado em papel ou exibe em tela digital. O exame é rápido e não causa desconforto. O profissional então analisa o ritmo, a frequência cardíaca, a presença de ondas P, complexos QRS e ondas T, que indicam a função elétrica do coração e possíveis alterações.
Base: NR-7 (redação da Portaria SEPRT nº 6.734/2020); exames complementares definidos por avaliação de risco no PGR
Tipos de eletrocardiograma e suas indicações
Além do eletrocardiograma em repouso, existem variações do exame que atendem necessidades específicas. O ECG de esforço, por exemplo, é utilizado para avaliar a resposta do coração durante atividade física controlada, sendo indicado para diagnóstico de isquemia e avaliação funcional em pacientes com suspeita de doença arterial coronariana. Já o Holter é um monitor portátil que registra o ritmo cardíaco por 24 a 48 horas, permitindo detectar arritmias intermitentes.
Outro tipo é o eletrocardiograma de repouso com variações específicas para avaliação de pacientes com sintomas esporádicos, como palpitações ou desmaios. Cada tipo de exame tem protocolos próprios para coleta e interpretação, garantindo que o diagnóstico seja adequado ao quadro clínico do paciente. A escolha do exame deve ser feita por médico especialista, considerando o histórico e os riscos individuais.
Na medicina ocupacional, o ECG em repouso é o mais comum, utilizado para triagem e monitoramento dos trabalhadores. Em casos de suspeita clínica ou necessidade de avaliação mais detalhada, os exames complementares podem ser solicitados para garantir a segurança e a saúde do colaborador no ambiente de trabalho.
Importância do eletrocardiograma na saúde ocupacional
O eletrocardiograma é um exame complementar dentro do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), indicado conforme a NR-7 quando os riscos da função justificam, sobretudo para trabalhadores expostos a riscos cardiovasculares. A realização do ECG permite identificar precocemente alterações que podem levar a eventos graves, como infartos e arritmias fatais, garantindo intervenções rápidas e eficazes. Isso contribui para a redução de afastamentos e acidentes relacionados à saúde do coração.
Segundo o Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil, respondendo por cerca de 29% dos óbitos, o que evidencia a relevância do monitoramento cardíaco também no ambiente de trabalho. Por isso, quando os riscos da função justificam, o acompanhamento cardiológico periódico dentro do PCMSO ajuda a prevenir e a detectar precocemente agravos. O ECG é uma ferramenta fundamental para a prevenção e promoção da saúde dos trabalhadores.
Além do cumprimento legal, a adoção do eletrocardiograma no PCMSO demonstra o compromisso da empresa com a saúde e segurança do trabalhador. A identificação precoce de condições cardíacas permite a adequação das atividades laborais, evitando riscos e promovendo a qualidade de vida. A SSO Medicina Ocupacional oferece suporte completo para a realização e interpretação do exame, alinhado às normas vigentes.




