riscos psicossociais

Riscos psicossociais: sinais que a cabeça carrega, mas o crachá não mostra

Os riscos psicossociais fazem parte da rotina de muitos trabalhadores, mesmo quando ninguém fala sobre isso abertamente.

Muitos gestores e profissionais de RH veem o aumento de afastamentos por estresse, ansiedade e esgotamento, sem saber exatamente como agir.

Dados recentes mostram que a maioria dos trabalhadores no Brasil lida com níveis significativos de estresse, o que reflete um problema que vai muito além do indivíduo.

Este texto ajuda a entender o que são esses riscos, suas consequências e, principalmente, o que a sua empresa pode fazer para criar um ambiente mais saudável e protegido para todos.

Quais são os riscos psicossociais da NR-1?

Os riscos psicossociais estão relacionados à forma como o trabalho é organizado e vivenciado, e quando mal gerenciados, tem chance de prejudicar seriamente a saúde mental, física e o bem-estar dos colaboradores.

Tais riscos ganham destaque porque, a partir de maio de 2026, passam a fazer parte oficial do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), conforme atualização da NR-1 e da Portaria MTE nº 1.419/2024:

“1.5.3.1.4 – O gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.” 

Isso significa que empresas precisarão registrar esses fatores no inventário de riscos, junto dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.

No Brasil, um estudo feito em 2024 pela Bee Touch e divulgado no site Poder 360 apontou que 78% dos trabalhadores analisados tinham níveis moderados ou graves de estresse, e 58% mostraram sinais relevantes de depressão.

Esse dado prova que a pressão no ambiente de trabalho é uma realidade para muitos e essa medida é mais do que necessária.

infografico-riscos-psicossociais-no-trabalho Fatores de riscos psicossociais

Os fatores de riscos psicossociais são pressões, relações difíceis, práticas desiguais e ambientes que não oferecem suporte emocional.

Entre os exemplos mais conhecidos estão carga excessiva de tarefas, metas impossíveis, ausência de apoio, assédio, conflitos, violência, discriminação, insegurança sobre o futuro, atividades repetitivas e pouca autonomia.

Esses elementos abrem caminho para estresse intenso, burnout, ansiedade, depressão e outros adoecimentos relacionados ao trabalho.

Isso significa que são condições ligadas ao jeito como o trabalho é planejado, organizado e vivido no dia a dia.

Quais são as doenças psicossociais?

Entre as doenças causadas por riscos psicossociais, estão:

  • síndrome de Burnout (esgotamento profissional);
  • transtornos de ansiedade;
  • depressão;
  • distúrbios do sono;
  • problemas cardiovasculares.

Essas não são apenas estatísticas. Em 2024, o Brasil registrou cerca de 472 mil afastamentos de trabalhadores formais por transtornos mentais, segundo reportagem do G1.

Esse é o maior número em 10 anos, com um aumento de aproximadamente 67% em relação ao ano anterior.

Tabela de riscos psicossociais

A tabela abaixo mostra como cada risco desencadeia consequências específicas na saúde mental dos trabalhadores. Veja:

tabela-de-riscos-psicossociais Por que é essencial mapear e intervir nesses riscos?

Ignorar os riscos psicossociais têm um custo alto para todos, pois um estudo realizado pela Vittude e divulgado na Você S/A mostrou que 66,1% dos brasileiros já tiveram a saúde mental afetada pelo estresse no trabalho. 

Esse cenário exige ação imediata por vários motivos:

  • impactos na saúde mental e física do colaborador: o sofrimento psicológico geralmente se manifesta como doenças físicas, o que afeta a qualidade de vida;
  • aumento de afastamentos e turnover: funcionários adoecidos se afastam mais, e os que permanecem insatisfeitos tendem a sair da empresa;
  • riscos de passivos trabalhistas e ações judiciais: a falta de cuidado costuma levar a processos por danos morais;
  • ganhos de produtividade e clima organizacional: um ambiente saudável aumenta o engajamento, a criatividade e a eficiência da equipe.

No vídeo abaixo, confira as penalidades aplicadas às empresas em caso de descumprimento da NR-1:

Como o novo PCMSO aborda os riscos psicossociais?

O novo PCMSO torna a avaliação dos riscos psicossociais uma obrigação integrada ao PGR, o que deixa claro que as ações médicas devem considerar fatores emocionais e organizacionais, e não apenas riscos físicos ou químicos.

Isso exige do médico do trabalho uma atuação mais estratégica, com olhar voltado para sinais de:

  • estresse;
  • sobrecarga;
  • conflitos internos;
  • relações abusivas;
  • insegurança organizacional;
  • jornadas longas;
  • falhas de autonomia;
  • demandas mal distribuídas.

A prática também muda:

  • o ASO precisa refletir os riscos psicossociais quando forem considerados relevantes; 
  • os relatórios do PCMSO ganham mais foco preventivo; 
  • o médico deve manter diálogo constante com SESMT, RH e gestores para alinhar achados clínicos ao PGR.

Assim, a integração entre PCMSO e PGR deixa de ser orientação e passa a ser exigência legal.

Como mapear riscos psicossociais na prática?

O mapeamento exige uma combinação de métodos para captar a realidade do ambiente. É possível usar:

  • entrevistas, questionários anônimos e escuta ativa para coletar percepções;
  • ferramentas validadas como o COPSOQ ou ISTAS 21, além de pesquisas internas;
  • análise das causas-raiz para criar indicadores confiáveis;
  • integração total dos dados com o PGR e a emissão do ASO, para fechar o ciclo da gestão.

Como intervir para reduzir e corrigir impactos já existentes?

Quando os riscos psicossociais já estão presentes, a empresa precisa agir de forma estratégica para evitar que o problema se agrave.

As intervenções corretas ajudam a recuperar o bem-estar das equipes e restaurar um ambiente mais saudável.

Ajustes organizacionais

Revisar processos e estruturas é fundamental e isso significa redistribuir tarefas, estabelecer prazos realistas, rever políticas de jornada e garantir que as demandas sejam compatíveis com os recursos disponíveis. 

São pequenas mudanças na rotina que geram grandes impactos no bem-estar coletivo.

Programas de apoio psicológico

Oferecer suporte psicológico, como acesso a terapia ou programas de assistência ao empregado (PAE), demonstra cuidado genuíno. 

Esses recursos dão um suporte confidencial para que os colaboradores lidem com dificuldades, o que previne o agravamento de sofrimentos mentais.

Ações de liderança e comunicação

Líderes têm um papel crucial na intervenção de riscos psicossociais, por isso, devem promover uma comunicação transparente, dar feedbacks construtivos e reconhecer o bom trabalho. 

Criar um ambiente de confiança, em que as pessoas se sintam seguras para falar sobre suas dificuldades, é um antídoto poderoso contra riscos psicossociais.

Treinamentos comportamentais

Investir no desenvolvimento de habilidades socioemocionais beneficia a todos. 

Treinamentos sobre gestão do tempo, inteligência emocional, resiliência e comunicação não violenta equipam as pessoas para lidarem melhor com as pressões naturais do trabalho.

Reavaliação contínua

Nenhuma ação é definitiva, portanto, as intervenções devem ser monitoradas e seu impacto, medido periodicamente. 

É essencial ouvir novamente os colaboradores para ver se as medidas têm funcionado e ajustar as estratégias conforme necessário.

Perguntas frequentes

O que diferencia os riscos psicossociais de riscos ergonômicos?

Os psicossociais envolvem pressões emocionais e relações no trabalho; os ergonômicos tratam de postura, repetição e esforço físico. Ambos podem se influenciar, mas têm causas e consequências distintas, logo, exigem abordagens específicas dentro do PGR.

Riscos psicos podem gerar acidentes de trabalho?

Sim. Fadiga mental, estresse intenso ou falta de concentração aumentam erros e reduzem a atenção e elevam o risco de acidentes. Ambientes emocionalmente desgastantes interferem diretamente na tomada de decisão e na capacidade de resposta.

Pequenas empresas também precisam avaliar esses riscos?

Sim. A obrigação legal vale para todos. Pequenas empresas podem aplicar métodos mais simples, como entrevistas e questionários breves para manter registros no PGR e alinhar ações com o PCMSO.

Quem é responsável por monitorar esses riscos?

A responsabilidade é compartilhada: gestores, RH, SESMT e lideranças precisam acompanhar sinais e atualizar o PGR. O médico do trabalho atua como apoio técnico, integrando informações ao PCMSO.

Como identificar sinais precoces de adoecimento psicossocial?

Mudanças de comportamento, queda de desempenho, irritabilidade, isolamento, absenteísmo e relatos de cansaço constante são sinais comuns. Observar padrões e manter conversas francas ajuda na identificação precoce.

O que acontece se a empresa ignorar os riscos que são psicossociais?

Pode ocorrer aumento de afastamentos, queda de produtividade e maior risco de ações trabalhistas. Além disso, a fiscalização pode penalizar a empresa por descumprimento da NR-1 e NR-7.

Conclusão 

Ao longo deste texto, exploramos a fundo os riscos psicossociais, desde sua definição e impactos na saúde, como estresse, burnout e os alarmantes números de afastamentos, até as exigências legais da NR-1 e a prática de mapeamento e intervenção. 

Ficou claro que gerenciar esses fatores não é mais opcional; é uma obrigação que preserva a saúde das pessoas e a sustentabilidade da organização. 

E é nesse contexto que a SSO Ocupacional se torna uma parceira estratégica, pois asseguramos que o PGR e o PCMSO estejam perfeitamente alinhados, com documentos coerentes, gestão contínua e total confiabilidade perante a fiscalização.

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