O turnover alto é um tema que preocupa qualquer gestor.
Mas você já parou para pensar que, em muitos casos, esse índice é apenas o sintoma de um problema mais profundo?
A rotatividade excessiva muitas vezes sinaliza que a saúde do seu time não está bem.
Por isso, este texto vai além dos custos óbvios e explora como doenças ocupacionais silenciosas são um combustível poderoso para o turnover alto, e o que fazer para reverter esse cenário.
Qual é o custo do turnover alto para a empresa?
O turnover alto vai muito além da simples substituição de pessoas. Ele impacta diretamente o caixa, com custos de rescisão, recrutamento, treinamento e queda de produtividade, e também o clima emocional das equipes.
Além disso, em cenários de turnover alto, o conhecimento se perde, a sobrecarga aumenta e o engajamento cai.
E no Brasil, a rotatividade é alarmante: cerca de 56% ao ano, uma das maiores taxas do mundo, segundo relatório da Gupy.
Em muitos casos, esse movimento não é casual, mas consequência direta de doenças ocupacionais silenciosas, não diagnosticadas ou mal gerenciadas, que corroem a permanência dos profissionais.
Quais são as doenças ocupacionais silenciosas que estão acelerando o turnover?
Dados do Caged mostram que 51,3% dos trabalhadores brasileiros foram desligados ou pediram demissão entre setembro de 2024 e setembro de 2025.
Esse volume revela que o turnover alto raramente acontece por um único fator isolado.
Por trás das saídas constantes, há sinais claros de adoecimento físico e mental, muitas vezes ignorados no dia a dia corporativo.
Entender essas doenças é o primeiro passo para interromper esse ciclo.
LER/DORT
LER/DORT são lesões causadas por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.
Surgem, em geral, por movimentos repetitivos, postura inadequada e ergonomia precária.
Aqui, dores nos punhos, ombros, coluna e formigamentos são sintomas comuns que se acumulam com o tempo.
Quando não há intervenção, o rendimento cai e o afastamento se torna frequente.
Nesse contexto, o turnover alto aparece como consequência direta do desgaste físico.
Para reduzir essas condições, avaliações ergonômicas e programas preventivos personalizados são uma estratégia.
Burnout
Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na CID-11, o burnout é a síndrome do esgotamento profissional.
E ele vai além do cansaço: manifesta-se através de insônia, irritabilidade, cinismo e uma queda abrupta no engajamento.
Em podcast, o Dr. Drauzio Varella fala sobre os sinais da condição: “Esses sintomas não se estabelecem da noite para o dia. Eles se instalam lentamente.”
No Brasil, cerca de 86% dos profissionais relataram ter sentido sintomas de burnout no último ano, segundo o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 feito pela Wellhub.
Aqui, vale ressaltar que em ambientes sem apoio psicológico e com sobrecarga constante, o burnout se torna uma epidemia silenciosa.
Ele é um acelerador direto do turnover alto, pois o colaborador busca desesperadamente uma saída para preservar sua saúde mental.
Combater esse mal exige uma cultura que priorize o bem-estar, com programas de acompanhamento psicossocial e campanhas que destigmatizem o tema.
Neste cenário, também ressaltamos a importância de gerenciar os riscos psicossociais, que é onde se encaixa o burnout. Para entender mais sobre o assunto, confira nosso vídeo abaixo:
Estresse crônico
Diferente do estresse pontual, que é passageiro, o estresse crônico se instala e passa a afetar corpo e mente de forma contínua.
Ele corrói a motivação, aumenta o absenteísmo e prejudica relações internas.
Em entrevista ao site do Dr. Drauzio Varella, Alexandrina Meleiro, médica psiquiatra, esclarece os sinais do estresse crônico:
“Se a pessoa notar que já não se levanta com a mesma disposição, a mesma energia para desempenhar suas atividades diárias, que se irrita com os outros facilmente, que seu comportamento está fugindo do padrão habitual, se não consegue dormir, ou mesmo dormindo a noite inteira, não acorda descansada, pois o sono não foi tranquilo e reparador, precisa ficar atenta. Algo dentro dela está avisando que as coisas não vão bem e que é fundamental tomar certas medidas para evitar consequências mais sérias.”
Neste caso, lideranças despreparadas e culturas organizacionais tóxicas potencializam o problema.
E quando não monitorado, esse quadro sustenta o turnover alto por longos períodos.
Aqui, indicadores de saúde mental, mapeamento de riscos psicossociais e ações preventivas ajudam a interromper esse processo antes que ele se agrave.
Como prevenir doenças ocupacionais e reduzir o turnover na sua empresa?
Reduzir o turnover alto exige uma Saúde Ocupacional integrada à gestão de pessoas.
Isso significa ter acompanhamento médico periódico viaPCMSO, avaliações ergonômicas com PGR e AET, bem como ações de prevenção e reabilitação precoce.
Somam-se a isso treinamentos sobre saúde mental, pausas ativas e uma escuta mais próxima das equipes.
Esses cuidados aumentam o engajamento, reduzem afastamentos e constroem um ambiente mais saudável e produtivo.
Perguntas frequentes sobre doenças ocupacionais e turnover
Doenças ocupacionais podem gerar passivos trabalhistas para a empresa?
Sim. Quando não prevenidas ou tratadas corretamente, doenças ocupacionais podem resultar em ações trabalhistas, indenizações e multas. A ausência de laudos, programas preventivos e acompanhamento médico fragiliza a empresa juridicamente e aumenta o risco de condenações e fiscalizações.
Como identificar sinais de adoecimento antes que o problema se agrave?
Mudanças de comportamento, quedas frequentes de produtividade, atrasos recorrentes e aumento de atestados médicos são alertas importantes. Pesquisas de clima, acompanhamento de indicadores de saúde e diálogo constante com lideranças ajudam a identificar riscos de forma antecipada.
Doenças ocupacionais afetam apenas funções operacionais?
Não. Cargos administrativos, lideranças e profissionais estratégicos também são impactados, especialmente por fatores psicossociais. Jornadas extensas, pressão por resultados e uso excessivo de tecnologia contribuem para adoecimentos que atingem todos os níveis hierárquicos da organização.
Qual a relação entre afastamentos frequentes e rotatividade de pessoal?
Afastamentos recorrentes sobrecarregam equipes, geram retrabalho e aumentam a insatisfação coletiva. Esse efeito dominó leva outros profissionais a buscarem novas oportunidades, criando um ciclo de substituições constantes que compromete a estabilidade e a performance do negócio.
Investir em prevenção realmente traz retorno financeiro?
Sim. Programas preventivos reduzem afastamentos, acidentes e custos com substituições. Além disso, empresas que cuidam da saúde dos colaboradores fortalecem sua reputação, aumentam a retenção de talentos e melhoram resultados operacionais de forma sustentável.
Como a SSO Ocupacional pode ajudar sua empresa?
A SSO Ocupacional organiza a saúde ocupacional, reduz riscos e fortalece a estratégia de ESG com soluções técnicas e confiáveis.
Atuamos com PGR e PCMSO alinhados, gestão contínua e total segurança perante a fiscalização.
Ao tratar as causas do turnover alto, ajudamos sua empresa a transformar riscos em um diferencial estratégico, com mais credibilidade, agilidade e cuidado real com as pessoas.