Você saberia o que fazer se um colega sofresse um infarto no ambiente de trabalho? Apesar de parecer uma situação extrema, a verdade é que o infarto pode acontecer com qualquer pessoa, a qualquer momento, inclusive dentro da empresa. E o pior, a maioria das pessoas não sabe como identificar os sinais ou como agir de forma rápida e correta para ajudar.
O infarto no ambiente de trabalho é um problema real, cada vez mais comum em um cenário marcado por estresse excessivo, jornadas longas, cobrança intensa por resultados e falta de pausas adequadas. Justamente por isso, entender os sinais de alerta e saber como reagir pode literalmente salvar uma vida.
Neste artigo, você vai entender como acontece um infarto, quais são os principais fatores de risco no ambiente profissional, como socorrer alguém com princípio de infarto e o que a empresa pode fazer para evitar esse tipo de ocorrência. Vamos lá?
O que é um infarto e por que ele pode ocorrer no trabalho
O infarto agudo do miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando há bloqueio do fluxo de sangue para o coração, geralmente causado pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias coronárias. Sem o fornecimento adequado de sangue e oxigênio, o tecido cardíaco começa a morrer.
Esse bloqueio pode se formar ao longo do tempo por conta de má alimentação, sedentarismo, tabagismo e fatores genéticos, mas o estresse agudo é um dos grandes gatilhos que podem precipitar um infarto, e é aí que entra o ambiente de trabalho.
Ambientes de trabalho que impõem alta pressão emocional, prazos rígidos, sobrecarga, conflitos constantes ou que não incentivam pausas e cuidados com a saúde contribuem significativamente para o aumento do risco cardiovascular dos colaboradores.
Sinais e sintomas de infarto no ambiente de trabalho
Reconhecer os sinais de um possível infarto é o primeiro passo para agir com rapidez. Os principais sintomas incluem:
- Dor ou pressão no peito (sensação de aperto que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula ou costas);
- Suor frio;
- Tontura ou sensação de desmaio;
- Falta de ar;
- Náusea ou vômito;
- Palidez;
- Ansiedade extrema ou sensação de morte iminente.
Esses sintomas podem variar entre homens e mulheres. Nas mulheres, o infarto pode se manifestar com sintomas mais leves ou atípicos, como fadiga intensa, dor nas costas ou no estômago e falta de ar súbita.
Se alguém apresentar esses sinais, o tempo é crucial. Os primeiros minutos podem ser determinantes para a sobrevivência da pessoa.
O que fazer em caso de infarto no ambiente de trabalho
Saber como agir diante de um possível infarto é essencial para salvar vidas. Veja o passo a passo:
1. Mantenha a calma e chame ajuda imediatamente
Acione o SAMU (192) ou os Bombeiros (193) assim que notar sinais de infarto. Quanto antes a equipe médica chegar, maiores são as chances de recuperação da vítima.
2. Deixe a pessoa em repouso
Ajude a pessoa a se sentar ou deitar em um local arejado e tranquilo. O ideal é deixá-la em posição confortável, com a cabeça elevada.
3. Afrouxe as roupas e mantenha a pessoa consciente
Se possível, afrouxe a gravata, cinto ou qualquer peça que esteja apertando. Converse com a vítima para mantê-la consciente até a chegada do socorro.
4. Administre ácido acetilsalicílico (aspirina), se autorizado
Caso a pessoa esteja consciente e não tenha alergia, pode-se oferecer uma dose de 300 mg de aspirina para mastigar, pois o medicamento ajuda a evitar a formação de novos coágulos.
5. Em caso de parada cardiorrespiratória, inicie a RCP
Se a pessoa desmaiar e parar de respirar, é fundamental iniciar a reanimação cardiopulmonar (RCP). Se você não tem treinamento, siga as instruções do atendente do SAMU por telefone até a equipe chegar.
Infarto silencioso: um risco escondido no ambiente de trabalho
Além do infarto tradicional com sintomas evidentes, existe o chamado infarto silencioso, que pode passar despercebido. Ele é mais comum em diabéticos, mulheres e pessoas idosas.
Nesse caso, a pessoa pode sentir apenas um leve desconforto, cansaço fora do comum ou uma leve indigestão. A falta de dor torácica intensa faz com que o problema não seja percebido, o que aumenta o risco de morte súbita.
No ambiente de trabalho, a orientação é que qualquer sintoma incomum e persistente seja levado a sério, especialmente se houver histórico de problemas cardíacos.
O estresse como fator de risco para infarto no trabalho
Não é novidade que o estresse crônico está entre os principais gatilhos para doenças cardiovasculares. Ele provoca um estado de alerta constante no organismo, elevando a pressão arterial, os níveis de cortisol e o risco de inflamações.
No contexto profissional, os principais gatilhos para o estresse são:
- Sobrecarga de tarefas;
- Falta de reconhecimento;
- Jornadas extensas e sem pausas;
- Conflitos interpessoais;
- Assédio moral;
- Falta de perspectiva ou controle sobre o trabalho.
Esse conjunto de fatores contribui não só para o adoecimento físico, mas também para quadros de ansiedade, insônia e depressão, todos ligados ao risco de infarto.
Como prevenir casos de infarto no ambiente de trabalho
A boa notícia é que o infarto é uma condição altamente prevenível com hábitos saudáveis e boas práticas no ambiente profissional.
Empresas comprometidas com a saúde de seus colaboradores devem investir em medidas preventivas, como:
- Programa de controle médico de saúde ocupacional (PCMSO);
- Monitoramento periódico de pressão, colesterol e glicemia;
- Campanhas de conscientização sobre saúde do coração;
- Promoção de pausas e momentos de descanso durante a jornada;
- Ambientes com boa ergonomia e clima organizacional saudável;
- Treinamentos em primeiros socorros e RCP para a equipe.
Além disso, incentivar o autocuidado fora do expediente também faz diferença, atividades físicas regulares, alimentação equilibrada, controle do estresse e sono de qualidade são pilares fundamentais para manter o coração saudável.
Quais as responsabilidades legais da empresa em caso de infarto no trabalho?
Se o infarto ocorrer durante a jornada de trabalho ou no trajeto entre casa e empresa, pode ser caracterizado como acidente de trabalho. Nesses casos, a empresa tem algumas obrigações legais:
- Emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT);
- Garantir o afastamento e benefícios pelo INSS, caso necessário;
- Cumprir os protocolos de saúde e segurança exigidos pelas Normas Regulamentadoras (NRs).
A omissão em relação a essas obrigações pode resultar em multas, processos trabalhistas e prejuízos à reputação da empresa.
Portanto, é fundamental agir com responsabilidade e respeito diante de casos de infarto no local de trabalho.
Como preparar a equipe para agir em caso de emergência cardíaca
Empresas podem, e devem, capacitar suas equipes para lidar com situações de emergência. Ações que fazem a diferença:
- Treinamento em primeiros socorros e RCP;
- Simulados de emergência médica;
- Instalação de desfibriladores externos automáticos (DEA), se possível;
- Formação de brigadas de saúde e segurança no trabalho;
- Manuais de procedimentos em locais visíveis e de fácil acesso.
Essas ações, além de salvar vidas, mostram o compromisso da empresa com o bem-estar de todos os seus colaboradores.

Conclusão
O infarto no ambiente de trabalho é uma realidade que precisa ser discutida com seriedade. O estresse, as condições inadequadas de trabalho e a falta de preparo para agir em emergências contribuem para um cenário preocupante.
Ao conhecer os sintomas, saber como agir e implementar medidas preventivas, empresas e colaboradores podem transformar o ambiente de trabalho em um espaço mais saudável e seguro para todos.
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Cristiano Cecatto
Perito
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Membro ABHO no.1280
Certified Machinery Safety Expert – CMSE®