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Resposta Direta
O teste de Romberg é uma prova clínica de equilíbrio estático que avalia a propriocepção e a integridade dos cordões posteriores da medula. Com os pés juntos, o paciente fica de olhos abertos e depois fechados, enquanto o profissional observa a oscilação do corpo. É um exame de triagem, não um diagnóstico isolado, e não é uma exigência universal da NR-7.
O que é o teste de Romberg
O teste de Romberg é uma manobra clínica simples, usada há mais de um século para avaliar o equilíbrio estático de uma pessoa em pé. Ele investiga principalmente a propriocepção, que é a capacidade do corpo de perceber a própria posição no espaço sem depender da visão. Essa informação chega ao sistema nervoso central pelos cordões posteriores da medula espinhal, e é justamente esse caminho que o exame ajuda a testar.
Na prática, o equilíbrio em pé depende de três sistemas que trabalham juntos: a visão, o sistema vestibular (localizado no ouvido interno) e a propriocepção. Quando a pessoa fecha os olhos, a visão sai de cena e o corpo passa a depender apenas do sistema vestibular e da propriocepção para se manter estável. Por isso o teste compara o equilíbrio nas duas condições, de olhos abertos e de olhos fechados.
Vale deixar claro desde o início que o Romberg é um exame de triagem, e não um diagnóstico fechado. Ele indica que algo pode estar alterado no equilíbrio ou na sensibilidade profunda, mas não aponta sozinho a causa. O resultado sempre precisa ser interpretado dentro de uma avaliação clínica mais ampla, feita por um profissional de saúde qualificado.
Como o teste de Romberg é feito, passo a passo
O exame começa com o paciente em pé, com os pés juntos e os braços relaxados ao longo do corpo. O profissional pede que a pessoa mantenha essa posição primeiro de olhos abertos, geralmente por cerca de 30 a 60 segundos, observando se ela consegue permanecer estável ou se apresenta oscilação. Essa primeira etapa serve como referência do equilíbrio da pessoa com o auxílio da visão.
Em seguida, o paciente é orientado a fechar os olhos e manter a mesma posição pelo mesmo tempo. Nesse momento, o profissional fica atento à oscilação do corpo, a desvios para os lados e a qualquer tendência de queda. Por segurança, o examinador permanece próximo, pronto para amparar a pessoa caso ela perca o equilíbrio, especialmente quando há histórico de tontura ou quedas.
Existe ainda uma versão mais sensível da manobra, conhecida como Romberg sensibilizado ou tandem, em que a pessoa posiciona um pé exatamente à frente do outro, como se estivesse sobre uma linha. Essa variação torna o desafio de equilíbrio maior e é usada na prática clínica para detectar alterações mais discretas. Ela faz parte do exame físico, e não de qualquer texto normativo.
Romberg positivo, negativo e sensibilizado
O resultado é considerado negativo quando a pessoa mantém o equilíbrio nas duas condições, tanto de olhos abertos quanto de olhos fechados, apresentando no máximo uma leve oscilação fisiológica. Esse é o resultado esperado em uma pessoa sem alterações significativas de propriocepção ou de função vestibular, e costuma indicar que o caminho da sensibilidade profunda está preservado.
Já o resultado positivo aparece quando a pessoa consegue se manter estável de olhos abertos, mas passa a oscilar de forma importante ou chega a perder o equilíbrio ao fechar os olhos. Esse padrão sugere que, sem a ajuda da visão, o corpo não está recebendo informação suficiente da propriocepção ou do sistema vestibular, o que aponta para um possível déficit que merece investigação.
No Romberg sensibilizado, com um pé à frente do outro, mesmo pequenas oscilações ganham importância, porque a base de apoio fica bem mais estreita. Em todos os casos, é fundamental lembrar que positivo ou negativo não são um veredito final: são pistas que orientam o médico sobre a necessidade de exames complementares e de uma avaliação neurológica ou otoneurológica mais detalhada.
💡 Dica SSO: Nenhuma Norma Regulamentadora cita o teste de Romberg pelo nome nem o torna obrigatório. Ele é um recurso do exame clínico, que o médico do trabalho pode utilizar dentro da avaliação de saúde quando julgar pertinente, sobretudo em funções que exigem bom equilíbrio. A decisão de aplicá-lo é técnica e individual, sempre baseada nos riscos da função.
Base: NR-7 (redação da Portaria SEPRT nº 6.734/2020); exames e avaliações complementares definidos por critério do médico do trabalho
O que o teste ajuda a investigar (e o que ele não é)
O teste de Romberg é útil para investigar queixas como tontura, vertigem, sensação de desequilíbrio e quedas frequentes. Ele ajuda a diferenciar problemas de origem proprioceptiva, ligados aos cordões posteriores da medula, de alterações do sistema vestibular, no ouvido interno. Também pode levantar suspeita de ataxia sensitiva, neuropatias periféricas e certas doenças da coluna dorsal, como as associadas à deficiência de vitamina B12.
Dentro de uma avaliação de saúde, incluindo o acompanhamento no PCMSO, o Romberg funciona como um sinalizador. Um resultado alterado indica ao profissional que vale a pena aprofundar a investigação, com exames complementares e, quando necessário, o encaminhamento para um especialista, como neurologista ou otorrinolaringologista.
Por outro lado, é importante saber o que o teste não é. Ele não é um diagnóstico isolado, não substitui uma avaliação neurológica ou otoneurológica completa e não define sozinho se uma pessoa está apta ou inapta ao trabalho. Interpretá-lo fora de contexto pode gerar conclusões equivocadas, por isso ele deve sempre compor um quadro clínico mais amplo.
Relevância ocupacional: equilíbrio, altura e PCMSO
Na medicina do trabalho, o equilíbrio é um tema sensível em funções que envolvem risco, como trabalho em altura, operação de máquinas e atividades em plataformas ou andaimes. Nesses contextos, um episódio de tontura ou perda de equilíbrio pode ter consequências graves. Por isso, a avaliação da saúde do trabalhador, conduzida dentro do PCMSO, considera as condições que podem originar um mal súbito e uma queda.
O teste de Romberg pode entrar nessa avaliação como um recurso do exame clínico, a critério do médico do trabalho, e não como uma exigência fixa. Ele pode ser aplicado em diferentes momentos do acompanhamento, incluindo os exames admissionais e periódicos, sempre que o profissional entender que a avaliação do equilíbrio é relevante para os riscos daquela função específica.
Vale reforçar que a decisão sobre quais exames e manobras compõem cada avaliação parte da análise de risco e do julgamento técnico do médico do trabalho. O objetivo não é criar barreiras ao trabalhador, mas garantir que ele exerça sua função com segurança, protegendo tanto a sua saúde quanto a de quem está ao seu redor no ambiente de trabalho.
⚠️ Atenção: A NR-35 não cita o teste de Romberg nem qualquer exame específico de equilíbrio. Ela exige que o trabalhador em altura esteja capacitado, tenha o estado de saúde avaliado, seja considerado apto e que essa aptidão fique registrada no ASO. A avaliação segue a NR-7, considerando as patologias que podem originar mal súbito e queda, além dos fatores psicossociais. Quais manobras usar é decisão do médico do trabalho.
Referências legais (fontes oficiais)
Perguntas Frequentes
O que significa um teste de Romberg positivo?
Um Romberg positivo indica que a pessoa mantém o equilíbrio de olhos abertos, mas oscila de forma importante ou perde a estabilidade ao fechar os olhos. Isso sugere um possível déficit de propriocepção ou da função vestibular, que precisa ser investigado por um profissional.
Como o teste de Romberg é realizado?
O paciente fica em pé, com os pés juntos e os braços ao longo do corpo, primeiro de olhos abertos e depois de olhos fechados, por cerca de 30 a 60 segundos em cada etapa. O profissional observa a oscilação do corpo e a tendência de queda.
O teste de Romberg é obrigatório por lei?
Não. Nenhuma Norma Regulamentadora cita o teste de Romberg pelo nome nem o torna obrigatório. Ele é um recurso do exame clínico, que o médico do trabalho pode utilizar a seu critério, conforme os riscos da função.
Para que serve o teste na medicina do trabalho?
Ele ajuda a avaliar o equilíbrio e a sensibilidade profunda do trabalhador, sobretudo em funções que exigem estabilidade, como trabalho em altura. Funciona como uma triagem dentro do PCMSO, sinalizando a necessidade de investigar mais a fundo quando há alterações.
Um Romberg positivo reprova o trabalhador?
Não por si só. O resultado é apenas uma pista, e não define isoladamente a aptidão. A decisão sobre apto ou inapto depende de uma avaliação clínica completa, feita pelo médico do trabalho, considerando o conjunto dos exames e os riscos da função.